Pesquisador do PPGLit faz descoberta histórica

Foto: Arquivo pessoal de Quincas Avelino.
Quincas Avelino, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Literatura, orientando do professor Jorge Hoffmann Wolff, identificou o registro original do batizado do músico Benedito Lacerda. A descoberta foi destaque no jornal Fala Região, do Rio de Janeiro: “O documento histórico, mantido no acervo da Paróquia de São João Batista, datado de 2 de dezembro de 1903, refere-se ao nascimento do virtuoso flautista em 14 de março daquele mesmo ano, sob a filiação de Maria Louzada Braga e Agapito Rangel, suprindo uma lacuna biográfica que não constava nas obras escritas sobre o artista”.
Confira a matéria completa publicada pelo portal de notícias Fala Região
A respeito dos caminhos percorridos até a descoberta e sobre sua importância, Quincas destacou:
“Li as biografias de Benedito Lacerda, importante figura da música brasileira, e identifiquei algumas ausências e sombras em sua trajetória, entre elas, a ausência do registro de batizado. Esse documento traz à tona questões relacionadas à paternidade de Benedito e à sua infância e adolescência em Macaé, no Norte Fluminense, aspectos que, inclusive, aparecem em sua poética. Um exemplo é o samba de sua autoria, gravado por ele próprio com o grupo Gente do Morro, Orfandade. Nesse cenário, é possível relacionar a poesia e a musicalidade de Benedito Lacerda a acontecimentos de sua vida:
Fiquei na orfandade
Quando tinha pouca idade
O mundo me criou, meu bemEntão vivia sem maldade
Mas a necessidade
De ser homem me criouO destino foi malvado
Mas sofri resignado
Quem me adorou
Foi-se embora
Muito cedo
Lançado em setembro de 1930 pela gravadora Brunswick, na voz do próprio Benedito, o samba melancólico aborda a paternidade e a orfandade, condição que dá título à canção”.
Segundo a Enciclopédia do Itaú Cultural, “Benedicto Lacerda (Macaé, Rio de Janeiro, 1903 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1958). Flautista, regente, compositor. Reconhecido por sua capacidade de organização como regente e pela criatividade como instrumentista e arranjador, estabelece o diálogo entre o choro e o samba, e contribui para o processo de incorporação desses gêneros ao repertório da era de ouro do rádio”.

Foto: Arquivo pessoal de Quincas Avelino.


