Pós-Graduação em Literatura UFSC
  • II Congresso Internacional de Estudos em Linguagem

    As disciplinas que constituem os estudos das Ciências Humanas ou Humanidades são conhecimentos organizados da produção criativa humana. O ponto comum entre estes estudos científicos é o interesse pelo desvendar das complexidades do ser e da sociedade humana, tendo como foco, ou objeto de estudo, o pensamento e a produção de conhecimento sobre sua condição a partir de discursos e linguagens específicos.

    Este caráter múltiplo das Ciências Humanas envolve aspectos teóricos, críticos e práticos em ramos como a linguística, a gramática e a filosofia; o jornalismo, a comunicação social e o direito; além de possuir aspectos subjetivos no ramo da produção artística e cultural. Assim, esta edição do CIEL propõe a discussão e a reflexão a respeito do percurso e das transformações da Literatura, das línguas e das culturas em suas múltiplas inter-relações, assinalando o alto grau de importância das investigações científicas nas subáreas das Linguagens, das Identidades e das Subjetividades, as quais são constituintes essenciais das Ciências Humanas em todos os aspectos.

    Partindo desta perspectiva, convidamos os estudiosos da linguagem – linguistas, linguistas aplicados, estudiosos da literatura – e os pesquisadores das demais disciplinas das Ciências Humanas (filosofia, história, direito, antropologia cultural, ciência da religião, arqueologia, teoria da arte, cinema, dança, teoria musical, design, entre outras) bem como pesquisadores que dialogam com estas disciplinas, como educadores e comunicólogos, para participar do II Congresso Internacional de Estudos em Linguagem e do IX Ciclo de Estudos em Linguagem. Nosso objetivo, neste evento, é refletir sobre os estudos da Linguagem, da Identidade e da Subjetividade nas Ciências Humanas, assim como o lugar e as contribuições destas subáreas no cenário global e de globalização contemporâneo.

    Entende-se que, neste momento, é urgente e necessário aprofundar os debates sobre a linguagem/textos transversais reveladores das permanências e transformações individuais, sociais, culturais e políticas implicadas na relação local/global e nas distintas performances de identidades. Nesse sentido, o CIEL acolherá trabalhos científicos que discutam sobre linguagens/textos em relação com as bases epistemológicas e as perspectivas teóricas das Ciências Humanas, incluindo, neste rol, p. ex., o processo de globalização, os diálogos interculturais e as políticas sociais, culturais e de ensino, bem como o percurso histórico de permanências e transformações nestes campos de investigação, de modo revelar o pensamento crítico e teórico contemporâneo sobre configuração de produção artística, científica e cultural.

    Justificativa para esta proposta de reflexão é o cenário mundial contemporâneo, marcado por movimentos migratórios de causas variadas e a consequente redefinição dos valores e discursos éticos, morais, culturais e sociais; e, por outro lado, num movimento que se supõe contraditório, observa-se o questionamento da relevância das Ciências Humanas em ações governamentais – portanto, políticas – em que são recorrentes os cortes ou a redução de verbas destinadas a pesquisadores neste campo de investigação. A sensação de vertigem torna-se inevitável, tanto pela turbulência provocada pelas transformações e atravessamentos nos planos da Linguagem, da Identidade e da Subjetividade quanto pela esquizofrênica atitude de descrença e minimização das Ciências Humanas.

    Sejam todos bem vindos!

    A coordenação


  • Eleição para Coordenação do PPGLit 2017

    EDITAL N 09.2017 – ELEIÇÃO PARA COORDENAÇÃO DO PPGLIT

    Inscrição de candidatos: 12 de junho de 2017, das 14h às 17h, na Secretaria do PPGLit;

    Eleição: 19 de junho de 2017, das 14h às 17h, na Secretaria do PPGLit.

    Chapa inscrita e homologada composta por:

    Profª Drª Maria Lúcia de Barros Camargo – Coordenadora
    Profª Drª Patrícia Peterle Figueiredo Santurbano – Subcoordenadora

    Edital 12 2017 RETIFICACAO

    Alteração do dia e horário da eleição:

    Eleição: 23 de junho de 2017, das 09h às 12h, na Secretaria do PPGLit.

    Sobre o colégio eleitoral, conforme o regimento em vigor:

    Art. 9. A Coordenação será exercida por um coordenador e um subcoordenador, ambos com mandato de três anos, renovável por igual período, os quais serão eleitos por um colégio eleitoral integrado pelos docentes permanentes do Programa e por representação discente e designados, a seguir, pelo reitor.

    ATA da votação


  • 5º Encontro da Rede Sul Letras.

    É com satisfação que anunciamos a publicação da primeira circular do 5º Encontro da Rede Sul Letras.
    Pedimos a gentileza de dar ampla divulgação entre seus colegas e alunos.
    Em breve, a página oficial estará online.

  • II Congresso da Associação Brasileira de Germanistas

    De 24 a 26/05/2017
    II Congresso da Associação Brasileira de Germanistas
    A Seção 8 – Walter Benjamin – a questão acerca do mito
    conta com a participação dos professores do Programa:
    Prof. Raul Antelo,
    Profa. Ana Luísa Andrade,
    Profa. Maria Aparecida Barbosa.
    E dezenas de outros pesquisadores de outras instituições.

  • MINICURSO – A narrativa policial. Para uma ampliação do conceito a partir de exemplos argentinos

    CONTEÚDOS:
    O gênero policial: problemas genológicos. A concepção “clássica” do gênero e os precursores inevitáveis: Edgar Allan Poe, Sir Arthur Conan Doyle e Gilbert Keith Chesterton e sua influência nos narradores posteriores. Modalidades; o romance de detection inglesa e a “série negra” norte-americana; relação com os respectivos contextos de escrita.
    A narrativa policial e as novas teorias da ficção: os “mundos possíveis”. A dimensão pragmática e o papel do leitor. O contrato de leitura. Os modelos genológicos e sua apropriação hispano-americana. O neopolicial latino-americano.
    A narrativa policial argentina: síntese de sua história e possíveis etapas. O século XIX e um precursor esquecido: Luis Cané. Paul Groussac e Eduardo Holmberg. O século XX: a consolidação do policial. As primeiras traduções do gênero. Coleções e antologias. A tradição anglo-francesa e o thriller de inspiração norte-americana. Um olhar panorâmico sobre os principais expoentes do gênero.
    Jorge Luis Borges e a narrativa policial: teoria e prática. Em direção a “Biorges” e o policial paródico. Seu trabalho na consolidação da vertente argentina do gênero: traduções, resenhas. A coleção “El Séptimo Círculo”. Seu trabalho como antologista. H. Bustos Domecq.
    Antonio Di Benedetto: um policial “psicológico”. O gênero policial nas letras mendocinas. Antonio Di Benedetto e o “novo romance”. Os romances da década de ’60: El silenciero (O silencieiro) e o esboço de uma teorização sobre o policial; Los suicidas (Os suicidas): romance policial?
    MINISTRANTE: Profa. Dra. Marta Castellino, Universidad Nacional de Cuyo, Argentina DATA: quarta-feira, 24 de maio das 15h às 18h e sexta-feira, 26 de maio das 15h às 18h LOCAL: Sala Machado de Assis, 4º andar do Prédio B do Centro de Comunicação e Expressão (CCE) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) O curso é aberto ao público em geral e não é necessária inscrição prévia. Os participantes terão direito a Certificado. Entrada gratuita.

    Organização: Programa de Pós-graduação em Literatura e Núcleo Onetti de Estudos Literários Latino-americanos/UFSC


  • Raul Antelo – ANTONIO CANDIDO FORÇA E CONTRA-FORÇA

    Apresentação

    Raúl Antelo, em Antonio Candido y los estudios latino-americanos (Pittsburgh: Instituto Internacional de Literatura Iberoamericana, 2001), organizador por Antelo, e no qual há uma série de ensaios de críticos de várias partes do mundo, lemos na “Introdução”: “Con perspectiva de medio siglo, en el Post-criptum que redactó en 1986 para la edición de jubileo del clásico de Buarque de Holanda, Antonio Candido nos dio una sutil interpretación de lo que sería ese sentimiento de soledad y aislamiento que confesaba compartir con las mejores voces del modernismo de su país. A diferencia de Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, que mostró los avatares del liberalismo de elites, disociado entre un modernismo progresista y otro reactivo, o de Formação do Brasil contemporâneo, de Caio Prado Jr., lectura marxista del proceso de formación del mercado de trabajo, las Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda probaron, según Antonio Candido, que una vez agotada la explicación localista para los impasses de la modernización, lo que llamaría, en el caso de Drummond, ‘a investigação do itabirano pelo itabirano’, surgió la conciencia de imposibilidad de vivir de sí mismo y se concluyó por ‘extrair da sua solidão esse sentimento de fraternidade por via da fragilidade comum’, comunidad que, en el post-scriptum jubileo, adquiere una inequívoca tonalidad política y, diría más, partidaria, la de un emergente ‘radicalismo potencial das classes médias’ al que, en el Brasil post-dictatorial, el Partido dos Trabalhadores, fundado entre otros por Candido y Buarque de Holanda, daría no sólo voz sino tamaño a su esperanza” (p. 8). Tal questão ainda se fará presente nos desdobramentos do pensamento de Raúl, dezesseis anos após a publicação do volume crítico-homenagem a Candido, visto que “o observador literário” não apenas é aquele que contempla a paisagem de modo passivo, mas também o que se vê vendo paisagens em movimento que o atravessam e que o transformam, isto é, – como Raúl nos coloca nesta breve homenagem-crítica -, força e contra-força. Nesta relação, parece-me, reside nossa tarefa, ou nossa maior homenagem ao crítico e professor Antonio Candido, já que na oscilação que se dá nesse jogo de forças o sistema – tão caro a Candido – da velha dicotomia do dois (das velhas constantes do compars) pode passar para o vir-a-ser do três (das mutações provocadas pelo dispars), entre comparecimento e desaparecimento. Assim, Antonio Candido nos deixa um enorme desafio, já que mais uma vez estamos ameaçados pela insurgência de forças totalitárias: suspender as certezas do Sistema, das violências de todo e qualquer Sistema.

    Davi Pessoa, 16 de maio de 2017.

    https://revistapolichinello.wixsite.com/candido-antelo


  • MINICURSO – La narrativa policial. Hacia una ampliación del concepto a partir de ejemplos argentinos

    MINICURSO
    La narrativa policial. Hacia una ampliación del concepto a partir de ejemplos argentinos

    CONTEÚDOS:
    El género policial: problemas genológicos. La concepción “clásica” del género y los precursores inevitables: Edgar Allan Poe, Sir Arthur Conan Doyle y Gilbert Keith Chesterton y su influencia en los narradores posteriores. Modalidades; la novela de detection inglesa y la “serie negra” norteamericana; relación con los respectivos contextos de escritura.
    La narrativa policial y las nuevas teorías de la ficción: los “mundos posibles”. La dimensión pragmática y el papel del lector. El contrato de lectura. Los modelos genológicos y su apropiación hispanoamericana. El neopolicial latinoamericano.
    La narrativa policial argentina: síntesis de su historia y posibles etapas. El siglo XIX y un precursor olvidado: Luis Cané. Paul Groussac y Eduardo Holmberg. El siglo XX: la consolidación del policial. Las primeras traducciones del género. Colecciones y antologías. La tradición anglofrancesa y el thriller de inspiración norteamericana. Una mirada panorámica sobre los principales exponentes del género.
    Jorge Luis Borges y la narrativa policial: teoría y práctica. Hacia “Biorges” y el policial paródico. Su labor en la consolidación de la vertiente argentina del género: traducciones, reseñas. La colección “El Séptimo Círculo”. Su labor como antólogo. H. Bustos Domecq.
    Antonio Di Benedetto: un policial “psicológico”. El género policial en las letras mendocinas. Antonio Di Benedetto y la “nueva novela”. Las novelas de la década del ’60: El silenciero y el esbozo de una teorización sobre lo policial; Los suicidas: ¿novela policial?
    MINISTRANTE: Profa. Dra. Marta Castellino, Universidad Nacional de Cuyo, Argentina DATA: quarta-feira, 24 de maio das 15h às 18h e sexta-feira, 26 de maio das 15h às 18h

    LOCAL: Sala Machado de Assis, 4º andar do Prédio B do Centro de Comunicação e Expressão (CCE) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

    O curso é aberto ao público em geral e não é necessária inscrição prévia. Os participantes terão direito a Certificado. Entrada gratuita. Organização: Programa de Pós-graduação em Literatura e Núcleo Onetti de Estudos Literários Latino-americanos/UFSC


  • Oficina destaca a relação entre as literaturas africanas de língua portuguesa

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    A literatura de Angola e Moçambique tem despontado em interesse de público e de pesquisa nas últimas décadas. Mas o que as produções desses dois países têm em comum? A pesquisadora Franciele Guarienti mostra essa relação na oficina “Angola e Moçambique: um diálogo sobre as Literaturas Africanas de Língua Portuguesa”, que será realizada na próxima terça-feira (dia 16 de maio) na sala Hassis, do CCE da UFSC, a partir das 16h. O evento é gratuito e aberto ao público. Serão emitidos certificados pela UFSC.

     

    Poéticas Diaspóricas

    A oficina faz parte da programação das Poéticas Diaspóricas, que pretende apresentar e discutir as poéticas da diáspora africana em várias expressões (dança, pensamento, música e literatura). As atividades são divididas em encontros ao longo do semestre na UFSC.

     

    Mais informações em poeticasdiasporicas.ufsc@ gmail.com

    Realização: Núcleo de Estudos de Poéticas Musicais e Vocais (Nepom-UFSC)

    Programa de Pós-Graduação em Literatura


  • Boletim de Pesquisa Nelic

    O Boletim de Pesquisa Nelic informa que até o próximo dia 05 de junho de 2017 ainda receberá artigos para a seção de temática livre do número 27. Os textos submetidos após essa data serão avaliados para a edição seguinte.

    Editado desde 1997 pelo Núcleo de Estudos Literários & Culturais da UFSC, o Boletim de Pesquisa Nelic é voltado à publicação de textos acadêmicos na área de literatura e cultura contemporâneas, e conta com a participação de pesquisadores nacionais e estrangeiros.
    Com periodicidade semestral e fluxo de submissões contínuo, atualmente encontra-se indexado em 22 plataformas de pesquisa, dentre as quais ERIH PLUS (European Reference Index for the Humanities and the Social Sciences); EZB (Electronic Journals Library) CiteFactor; MLA (Modern Language Association); DOAJ (Directory of Open Acces Journals); Latindex e Diadorim.

    Para mais informações e acessar todas as edições do Boletim de Pesquisa NELIC, acesse https://periodicos.ufsc.br/index.php/nelic.


  • .Em memória de Antonio Candido

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    Falecido nesta sexta-feira aos 98 anos, Antonio Candido deixa uma longa e fundamental obra de crítica literária e sociológica, à qual o Programa presta sua homenagem, assim como a sua trajetória de intelectual e homem público.

    Na sequência, reproduzimos uma entrevista de Candido concedida ao jornalista José Geraldo Couto em 2002…

    :

    Antonio Candido fala sobre suas obras e a relação com outros escritores

    JOSÉ GERALDO COUTO
    colunista da Folha

    O crítico Antonio Candido, 83, um dos maiores intelectuais brasileiros do século 20, exerceu também -e ainda exerce- um papel decisivo sobre os estudos literários hispano-americanos.

    Um mapeamento preliminar dessa influência é traçado no livro “Antonio Candido y los Estudios Latinoamericanos”, que acaba de ser publicado pelo Instituto Internacional de Literatura Ibero-Americana da Universidade de Pittsburgh (EUA).

    Organizado pelo crítico Raúl Antelo, 51, que nasceu na Argentina e vive no Brasil desde 1973, o volume reúne autores de diversos países, abordando aspectos variados do trabalho de Candido.

    Em entrevista à Folha, o autor de clássicos como “Formação da Literatura Brasileira” e “Parceiros do Rio Bonito” fez um balanço de suas relações com a cultura do continente.

    Folha – O sr. leu o livro “Antonio Candido y los Estudios Latinoamericanos”?
    Antonio Candido –
    Recebi um exemplar há pouco tempo, do Raúl Antelo. Não cheguei a lê-lo todo ainda. Foi uma grande surpresa, que me deixou muito desvanecido. Eu não sabia que estavam preparando esse livro. Vi que há ali estudos muito generosos, muito interessantes.

    Folha – Seu interesse pela literatura hispano-americana parece ter se intensificado a partir da Revolução Cubana. É correta essa impressão?
    Candido –
    Não, não. Para falar a verdade, não sou um grande conhecedor da literatura hispano-americana. Mas me interessei por essa literatura antes da Revolução Cubana, que é de 1959. Eu me interessei sobretudo por causa daqueles livros mexicanos da coleção Terra Firme.
    Em 1960, dei um curso na Universidade da República, no Uruguai, ocasião em que conheci o crítico Ángel Rama, e passei a me interessar bem mais pela literatura do continente.

    Bem mais tarde, quando me interessei pela Revolução Cubana, eu já estava bastante integrado. Quando conheci Cuba, pude constatar o papel extraordinário que o país teve para o intercâmbio cultural no continente. Eles tiveram a iniciativa fantástica de reunir no território cubano os intelectuais latino-americanos. Antes disso, nós nos encontrávamos sobretudo na Europa e nos EUA.

    Folha – No livro da Universidade de Pittsburgh é muito destacada a sua interlocução com Ángel Rama. As afinidades entre vocês parecem ter sido tanto políticas como intelectuais…
    Candido –
    Sobretudo intelectuais. Conheci-o em 1960, no Uruguai, e nos tornamos amigos. Depois convidei-o para dar aulas aqui na USP, ele veio. Estive com ele no México, nos Estados Unidos, na Europa. Mantivemos também muita correspondência.

    Considero Ángel Rama o maior crítico literário que a América Latina teve no meu tempo.

    Folha – O livro mostra que o sr. teve uma importância decisiva para o trabalho de Ángel Rama. Sua “Formação da Literatura Brasileira” influenciou muito o método de análise dele.
    Candido –
    Vários estudiosos de lá disseram isso. É a minha noção de sistema literário, né? No Brasil, não foi muito aceita. Foi muito combatida, inclusive. Mas fiquei satisfeito pelo fato de o Rama tê-la adotado.

    Folha – E seu diálogo com a estudiosa argentina Beatriz Sarlo?
    Candido –
    Com ela tive menos contato, mas a considero uma estudiosa de grande importância pela combinação de crítica literária e consciência política.

    Folha – Mas justamente nisso ela se diz inspirada pelo sr.. Diz que quando leu seus escritos encontrou uma resposta para o que já vinha buscando havia muito tempo, que era essa conjugação da atenção à estética e à estrutura social.
    Candido –
    Sempre tive uma preocupação política. Mas a crítica literária é muito variada, tem que variar conforme o texto. Tem que estar preparada para oscilar entre a pura consideração de ordem estética, de um lado, e de outro lado a inserção social da obra.

    Folha – Como o sr. avalia hoje o “boom” literário latino-americano? O que havia de duradouro e o que foi só propaganda?
    Candido –
    Naquele momento a ficção européia estava um pouco cansada, de maneira que esse vulcão que foi o “boom” entusiasmou o mundo inteiro.
    Houve muito “enchimento” no “boom”, mas alguns escritores ali são realmente extraordinários. O [Julio] Cortázar, sobretudo nos contos, o primeiro livro do [Mario] Vargas Llosa, “La Ciudad y los Perros”, o livro do [Gabriel] García Márquez, “Cem Anos de Solidão”, Alejo Carpentier, Juan Rulfo, Carlos Fuentes… Realmente foi uma explosão literária extraordinária.

    Nessa explosão se enquadra o nosso Guimarães Rosa, que a meu ver é o maior de todos.

    Folha – No livro, há um ensaio da professora Celia Pedrosa que recupera um texto seu de 1941, o “Manifesto Grouchista”. O sr. se lembra desse texto?
    Candido –
    Aquilo foi uma brincadeira que eu fiz na nossa revista “Clima”, dizendo que havia o marxismo do Karl Marx e o marxismo dos Irmãos Marx (risos). Sempre fui um grande admirador dos irmãos Marx, sobretudo do Groucho. Era uma brincadeira irreverente.

    Folha – Mas Celia Pedrosa tenta demonstrar que não foi apenas uma brincadeira, que aquele texto ilumina sua concepção de literatura e de arte. Ela faz até um paralelo entre o manifesto e uma tese que o sr. desenvolveria décadas mais tarde, a da “dialética da malandragem”…
    Candido –
    Acho que ela tem razão. Geralmente os outros têm mais capacidade do que nós para avaliar os textos que escrevemos, que estão sempre cheios de coisas inconscientes.

    A minha geração sofreu muito a influência dos modernistas de 22, e sempre demos muita importância à alegria, ao riso, à irreverência. Apesar de sermos todos professores universitários, reagíamos contra a solenidade. Sempre evitamos nos levar muito a sério, para não nos tornarmos medalhões.

    Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u24280.shtml